Planeta Sustentável

quinta-feira, 30 de maio de 2013

História do banheiro

 
Durante a Idade Média, os ocidentais abandonaram os sofisticados rituais de limpeza da Antiguidade e mergulharam numa profunda sujeira. Principalmente por causa da religião, o homem medieval comum achava suficiente tomar um banho por ano. Foi preciso muito tempo - e alguns bons exemplos dos povos orientais e indígenas - para que voltássemos às nossas asseadas origens

  Pesquisadores acreditam que todos os povos, desde tempos imemoriais, tenham praticado alguma forma de higiene pessoal. Os egípcios construíram por volta de 2.500 a.C. banheiros elaborados dentro das pirâmides, certamente a fim de tornar a eternidade dos faraós mais agradável.

Os primeiros registros do ato de se banhar individualmente pertencem também ao antigo Egito, por volta de 3000 a.C. Os egípcios realizavam rituais sagrados na água e tomavam ao menos três banhos por dia, dedicados a divindades como Thot, deus do conhecimento, e Bes, deus da fertilidade.

"Mais do que limpar o corpo, eles presumiam que a água purificava a alma", diz o egiptólogo francês Christian Jacq, fundador do Instituto Ramsés, em Paris. "A crença valia tanto para a realeza, cortejada com óleos aromáticos e massagens aplicadas pelos escravos, quanto para as populações mais pobres, que recorriam inclusive a profissionais de rua quando não conseguiam tratar da própria beleza." O apreço pela higiene é o motivo ao qual arqueólogos atribuem a sobrevivência dos egípcios às pragas e doenças que assolaram a Antiguidade.

  A Grécia foi outro local em que os banhos prosperaram. Em Cnossos e Faístos, na ilha de Creta, é possível encontrar bem preservados palácios de 1700 a.C. a 1200 a.C. que, até hoje, surpreendem por suas avançadas técnicas de distribuição da água. "Todo banquete que precisava ser luxuoso incluía uma sessão de banho para os convidados", explica Georges Vigarello, professor de Ciências da Educação da Universidade de Paris-5

  Embora os gregos tenham iniciado a prática dos banhos públicos no Ocidente, os pioneiros nos balneários coletivos foram os babilônios. A diferença é que, na Grécia, o banho não era motivado apenas pela higiene e espiritualidade. Entre 800 a.C. e 400 a.C., o esporte, particularmente a natação, era um dos três pilares da educação juvenil - ao lado das letras e da música. Bom cidadão era aquele que sabia ler e nadar, como comprovam imagens presentes   em centenas de vasos de cerâmica pintados naquela época.  Nos banhos públicos aconteciam reuniões, encontros, conversas e acordos que impulsionavam tanto a política como as artes e as ciências.

  Os romanos herdaram muito da cultura da Grécia, incluindo a adoração pelo banho. Mas, entre eles, esse hábito tomou proporções inéditas. Enquanto construíam um dos maiores impérios de todos os tempos, os romanos levavam a suntuosidade de suas termas (enormes balneários públicos) aos mais diversos lugares.

  Por causa disso, algumas cidades europeias ganharam nomes que incluem, literalmente, a palavra "banho" - é o caso de Bath, na Inglaterra, Baden Baden e Wiesbaden, na Alemanha, e Aix-le-Bains, na França. Mas as maiores termas ficavam mesmo na capital do império, Roma: eram as de Caracala, inauguradas em 217, e as de Diocleciano, do ano 305. Esses edifícios, cujos nomes homenageavam imperadores, tinham capacidade para receber, respectivamente, 1600 e 3200 pessoas.

  A engenharia romana teve que se desdobrar para acompanhar o frenesi dos banhos. Na onda das termas surgiu o hipocausto, uma espécie de assoalho construído sobre câmaras de gás subterrâneas. Esse sistema ajudava a esquentar os cômodos e mantê-los climatizados.

  Cada salão das termas era decorado com estatuetas e mosaicos. Ao redor de um pátio central, havia uma espécie de sauna, um vestiário e piscinas de água quente, morna, fria e ao ar livre. Os complexos de banho do Império Romano tinham ainda jardins, bibliotecas e restaurantes (como se fossem antepassados dos spas e resorts de hoje).

 
Banheiro Coletivo similar aos romanos - Éfesos - Atual Turkia (antiga cidade do Império Romano).

 
 
Ruina de termas Romanas.

 
Cloaca Máxima em Roma.

 
 
As visitas diárias às termas tinham fundo religioso, já que o banho público era um ato de adoração à deusa Minerva. E o costume não era restrito às classes mais abastadas. Boêmios, prostitutas, imperadores, filósofos, políticos, velhos e crianças, todos se banhavam no mesmo espaço, sem constrangimento. Ponto de encontro e de troca de informações, era o lugar onde um aristocrata podia medir sua popularidade de acordo com a quantidade de cumprimentos que recebia. "Em épocas de plebiscito, os plebeus nem precisavam pagar a pequena taxa que geralmente era cobrada. Os custos da entrada eram cobertos pelos ricos e nobres", escreveu o historiador francês Jérôme Carcopino no livro Aspects Mystiques de la Rome Païenne ("Aspectos místicos da Roma pagã", não lançado em português).

 A liberdade que os romanos tinham de se banhar e ficar nus em público foi entrando em declínio à medida que uma nova religião se tornava popular por todo o império. Era o cristianismo, que pregava a castidade e se tornou a crença oficial de Roma no ano 380. A Igreja, poder político e cultural absoluto, abominava os banhos tratando-os como "Orgias Pecaminosas".

  Menos de um século depois, o império viria abaixo, junto com vários de seus costumes. Enquanto isso, a Igreja seguiria cada vez mais forte. Foi a gota d'água para que os prazeres do banho fossem boicotados durante cinco séculos.

  Começava a Idade Média, época em que a cristandade varreu da Europa as termas, o esporte e outras atividades em que as pessoas se expusessem demais. Gregório I, o Grande, que foi papa entre 590 e 604, chegou a qualificar o corpo de "abominável vestimenta da alma" - ou seja, a carne era o depósito de tudo o que era pecado.

  Com tantos pudores, o prazer de tomar banho de corpo inteiro passou a ser visto como um ato de luxúria. Lavar as mãos e o rosto bastava - às vezes nem isso. Quando muito, era aceitável tomar um banho por ano.

  Um único barril de água servia para toda a família, sem que a água fosse trocada. "O privilégio do primeiro mergulho era do homem da casa, enquanto as crianças ficavam por último, na sopa suja que sobrava", escrevem as consultoras Renata Ashcar e Roberta Faria no livro Banho - Histórias e Rituais.

  Sem água corrente, as pessoas se viravam como podiam. A limpeza da pele era feita friccionando-a com um pano úmido. Mas, mesmo entre os nobres, o ritual era repetido apenas a cada dois dias. Os cabelos deviam ser escovados com um tipo de pó que supostamente mantinha os fios limpos. E, como não podia deixar de ser, era preciso muita maquiagem e perfume - nas roupas, nos corpos e nos cabelos - para amenizar o mau cheiro.

  As necessidades fisiológicas eram “despejadas” pelas janelas. Na França, para avisar os transeuntes sobre a “descarga” dos detritos, convencionava-se falar “Gardez L'eau” [lá vai água]. Acredita-se que dessa expressão tenha se originado a expressão Loo, que significa banheiro na Inglaterra.
  Nos castelos as latrinas consistiam de quartos com um buraco e um assento de madeira. Esses "banheiros" eram escuros, pois, acreditava-se que no claro as moscas e demais insetos se aproximavam e transmitiam doenças. Nos castelos ingleses essa salinha podia ter sob o assento de madeira um barril denominado Privie. Para esvaziar essas latrinas havia o esvaziador.

  Os mais privilegiados senhores possuíam um artefato móvel onde defecavam. Este artefato é conhecido por nós como penico.

  Toda essa falta de higiene abriu as portas para epidemias devastadoras, propagadas principalmente por roedores. Foi o caso da peste, que matou cerca de 200 milhões de pessoas ao longo da Idade Média. Ao notar que muitos judeus não pegavam a doença, a Inquisição chegou a julgá-los e executá-los, acusados de bruxaria.

 Mas eles, na verdade, não agiam de má-fé - muito pelo contrário. O que fazia os judeus serem menos suscetíveis a doenças era uma recomendação religiosa que seguiam: lavar as mãos antes das refeições e tomar banho ao menos uma vez por semana.

  Foi só durante as Cruzadas, as guerras religiosas travadas entre os séculos 11 e 13, que muitos europeus puderam redescobrir as delícias da água, na aproximação - ainda que violenta - entre Oriente e Ocidente. É que, fora dos territórios dominados pela Igreja, onde ocorreram muitos combates, os banhos públicos da Antiguidade haviam sido mantidos, com seus rituais e instalações sofisticados.

  Nas hamans, casas de banho turco-árabes, os muçulmanos aproveitavam o prazer de alternar águas quentes e frias. Sessões de banhos completos incluíam depilação, massagem, hidratação, branqueamento dos dentes e maquiagem - ritual que, até hoje, é seguido meticulosamente.

  Os cavaleiros cristãos que partiram para o Oriente com a missão de tomar a Terra Santa dos muçulmanos não se fizeram de rogados. "Não só passaram a se banhar por lá mesmo, como espalharam pela Europa a prática de jogar água pelo corpo quando retornavam dos combates", contam Renata Ashcar e Roberta Faria. A certa altura, a atitude contagiou o restante da população europeia medieval e alguns banhos públicos chegaram a reabrir as portas.

  Nem só aos sábados
Depois do fim da Idade Média, a religião voltou a suprimir os banhos no Ocidente. Nos séculos 16 e 17, irredutíveis cristãos bradavam que a água dilatava os poros da pele, por onde a saúde escaparia e o mal penetraria, em formas como a friagem e os germes.

  Todo mundo acreditou nisso, incluindo os médicos. E, enquanto nações como Portugal e Espanha descobriam, na América, populações que amavam tomar banho, os europeus voltavam para o mundo da sujeira. Supunha-se que a roupa branca agia como "esponja" e absorvia a sujeira. Assim, trocar de roupa passou a ser sinônimo de se lavar - e, para se sentir limpas, as pessoas usavam punhos e colarinhos impecáveis.

  A privação de água durou até o século 18, quando se provou definitivamente que as doenças se originavam não do banho, mas da falta dele. O iluminismo, que celebrava a razão e defendia a tese de que o mundo deveria ser esclarecido pela ciência, ajudou a fazer do ato de se lavar o símbolo da saúde. Banhos públicos para higiene, esporte e terapia, foram aos poucos, sendo reabilitados.

  Mas, após anos de religiosos dizendo o contrário, não foi todo mundo que voltou a tomar banho, mesmo com insistentes conselhos médicos Buckingham, sede da coroa inglesa. Até os anos 1870, eram raras as casas ocidentais que tinha um cômodo para seus habitantes se lavarem.

No século XVIII começamos a perceber a retomada das questões de saúde pública e os reflexos na higiene pessoal. A ciência moderna passa a ditar as regras.

 

  Em 1775, em Londres, Alexander Cunnings desenvolve um
sifão para os vasos sanitários, reduzindo assim os odores. O vaso sanitário aparece para substituir o indelével penico medieval.

  No final de século XVIII, os Arquitetos passam a incorporar o banheiro como um cômodo dentro da casa. No século XIX, os artefatos dos banheiros adquirem estética própria e são desenvolvidos em materiais ricos como mármore, louça, metais etc...

  Os banhos davam-se em tinas e a higiene diária ocorria por meio do famoso gomil em penteadeiras ou toucadores. A primeira banheira foi produzida em cobre, nos EUA, em 1800.

  Já cientes do bem que a água podia fazer pela saúde, médicos banhavam doentes à força em hospitais. "Não era difícil encontrar um sujeito que, tendo de enfrentar a experiência do primeiro banho, demonstrasse verdadeiro terror, gritasse, tentasse escapar da sensação de sufocamento e palpitação que a água fria proporcionava", diz um relato da época, citado pelo historiador americano Lawrence Wright no livro Clean and Decent: The Fascinating History of the Bathroom ("Limpo e decente: a fascinante história do banheiro", não editado no Brasil).

  Os banhos rotineiros reapareceram definitivamente nas grandes cidades ocidentais apenas por volta dos anos 1930. Mas, no começo, eles não eram lá tão frequentes. Eram tomados aos sábados, dia em que também eram trocadas as roupas de baixo das crianças. Quando a célebre rainha Vitória subiu ao trono, em 1837, ainda não havia local para banho no palácio.

 O século XX impôs um salto quantitativo na qualidade de vida das sociedades.

  A água encanada, o saneamento básico e mudanças culturais fizeram com que a civilização moderna se tornasse seguramente mais limpa e saudável. Os avanços tecnológicos foram decisivos para que se desenvolvesse uma sociedade voltada para a limpeza, beleza e bem estar. Tomar banho passou a ser tarefa diária e prazerosa.
  À sujeira, se impôs o distanciamento necessário na vida diária. As descargas, os sifões e outros inventos tornaram-se instrumentos obrigatórios em qualquer espaço destinado a toalete.
  Os chuveiros entraram definitivamente na vida cotidiana.

  O mundo moderno passou a cultuar o banho e o asseio como uma forma de preservação da saúde e do bem estar. A decoração dos interiores das casas chega até os banheiros e passamos a observar a modificação estética desse espaço que se torna no final do século XX, um espaço de descanso e saúde, um SPA.

 

  Para os americanos o banheiro é como um apêndice do quarto.

 

  No Brasil, desde a época colonial, muito pouco se observa em termos de evolução das formas de higiene da população. Os problemas da Europa, no entanto, são minimizados no Brasil, pois desde o descobrimento, o convívio com os indígenas e o calor dos trópicos impôs uma rotina em que a água era mais importante e abundante.

 

  Apesar da quantidade de rios e cachoeiras brasileiras, as cidades não possuíam sistemas hidráulicos capazes de conduzir a água até elas. Esse advento só aconteceu no século XIX, tanto na colônia como na Europa.

  O transporte da água se dava por tonéis e o preço pago por ela era alto. Os chafarizes, bastante comuns nas cidades desde o século XVII, eram lugares de encontros de escravos e depois de negros libertos.
Esses lugares se assemelhavam aos banhos públicos que reaparecem no século XIX, com uma sensualidade que beira a promiscuidade.

 

  Nas residências, os detritos dos penicos eram esvaziados em grandes tonéis chamados de Tigres que, por sua vez eram despejados no rio mais próximo ou no mar.

  Hoje, voltamos a expor nossos corpos sem pudor, como fazíamos na Antiguidade. Mas isso não ocorre mais durante o ato de se lavar, e sim depois dele. "Ao mesmo tempo em que os trajes começam a valorizar o corpo e deixar adivinhar suas formas, realçando-as e, por vezes, revelando o bronzeado e a pele lisa e firme, o banho se transforma num hábito estritamente íntimo", escrevem os historiadores franceses Gerard Vincent e Antoine Prost na obra História da Vida Privada: da Primeira Guerra aos Dias Atuais.

  Tomar banho virou um método individual de se preparar para a exposição pública. Não é à toa que todo banheiro contemporâneo que se preze tem um espelho - um objeto que, há cerca de dois séculos, dificilmente seria visto num lugar como esse.
 

Curiosidades

Limpeza difícil
Nos banheiros primitivos, não havia preocupação em oferecer ao usuário material para higiene íntima. O jeito era as pessoas se limparem com o que estivesse à mão, como água, grama e até areia! O papel higiênico só seria inventado em 1857, nos Estados Unidos, por Joseph Cayetty, que pela primeira vez lançou no mercado esses rolos de papel macio

Na Idade Média, a maioria dos casamentos ocorria no mês de junho (para eles, o início do verão).
A razão é simples:
O primeiro banho do ano era tomado em maio; assim, em junho, o cheirodas pessoas ainda estava tolerável.
Entretanto, como alguns odores já começavam a ser exalados, as noivas carregavam buquês de flores junto ao corpo,
para disfarçar. Daí termos maio como o "mês das noivas" e a origem do buquê de noiva explicada.


Manifestos da intimidade 
Pesquisadora analisa pichações feitas em paredes de banheiros de cinco países

  Populações Algum pensador anônimo deixou registrado na parede de um sanitário masculino da Universidade de São Paulo (USP): "Banheiro também é cultura". Renata Plaza Teixeira, que fez doutorado em psicologia na USP, concorda. Em sua tese, a pesquisadora estudou as diferenças sexuais e interculturais das inscrições encontradas nos banheiros de universidades. "Os grafitos representam uma cultura marginal, feita por pessoas que não têm outros meios de divulgar seus ideais", explica.

  Renata estudou 212 sanitários distribuídos por Brasil, Itália, Espanha, Estados Unidos e Alemanha e, entre palavras soltas, frases e desenhos, coletou 5.446 pichações. A autora e seus colaboradores copiaram fielmente as inscrições e, quando possível, registraram-nas também em fotografias. Foram quase quatro anos vasculhando paredes, tetos, tampas de vaso sanitário, batentes de porta e encanamentos expostos. Sempre que um banheiro masculino era visitado, o feminino correspondente também era.

Após a coleta de dados, as pichações de conteúdo verbal foram divididas em 24 categorias como relacionamento, desabafo, sexo, preconceito, religião ou humor. Para analisar, além do conteúdo, a forma das inscrições verbais, estas foram classificadas também de acordo com sua estrutura (lexical, frasal, textual, abreviações e números).  A análise dos resultados mostrou que brasileiros e brasileiras só pensam naquilo: o sexo foi o tema predominante das pichações dos banheiros masculinos e femininos, com 34,7% e 50% das inscrições, respectivamente. As mulheres de todos os outros países estudados, com exceção da Alemanha, revelaram-se mais românticas em suas pichações, embora tenham escrito também sobre desesperança no amor.

O sexo foi tema recorrente nos banheiros de todos
os países estudados (foto: Luís Augusto Barbosa).

Entre os homens, italianos e espanhóis escreveram mais sobre política, enquanto a predominância entre os anglo-saxões foi de inscrições preconceituosas contra estrangeiros. "De maneira geral, as mulheres mostraram-se mais interessadas por temas privados e os homens expressaram maior preocupação com assuntos públicos", resume a pesquisadora.

O título da tese -- Sob a proteção da Vênus Cloacina -- evoca a divindade romana protetora de tudo o que é sujo e obsceno. Seu santuário havia sido erguido sobre a Cloaca Máxima, o sistema de esgoto da Roma antiga. A associação sugere que as pichações, além de meio de comunicação, são também ’válvula de escape’.
Segundo Renata, as inscrições refletem que o banheiro é um lugar de desabafo, onde as pessoas, protegidas pelo anonimato, revelam detalhes da sua intimidade, dúvidas existenciais, questões políticas e preconceitos. "A pessoa se despe literal e metaforicamente", afirma. Por essa razão é possível encontrar, nas paredes dos sanitários, palavrões e piadas que muitos não ousariam proferir pessoalmente. O sexo, por exemplo, tabu em várias sociedades, é assunto de destaque nos banheiros femininos e masculinos.
 
O Brasil foi o país com o maior número de inscrições por banheiro (36), enquanto os EUA tiveram o menor índice (16)

 Renata estuda pichações desde a sua graduação e, em uma outra pesquisa, concluiu que essa forma de manifestação está presente nas diversas culturas desde a Antiguidade -- ela observou em sítios arqueológicos na Itália muitas inscrições nas paredes de ruas, banhos públicos, banheiros, bordéis e ginásios. A pesquisadora pretende publicar sua tese e já está em negociação com editoras.

 




 
 
 

 


 

 


 


 

 

 

 

 

 

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