Planeta Sustentável

quarta-feira, 30 de outubro de 2013


Edição 1967, 9 de agosto de 2006
Linguagens e Códigos e suas Tecnologias– Lingüística
Os símbolos da escrita chinesa
Convide a garotada a pôr a mochila nas costas e embarcar numa excursão por lugares paradisíacos
 
Paciência: 10000 modos de representar a noção de logevidade, pesquisados por um calígrafo usando ideogrmas chineses

Uma Vitrine para o Mundo
Revolução na Sala de Aula

Duas aulas de 50 minutos

Oralidade, escrita e alfabeto


Perceber a presença de fontes tanto nos ideogramas chineses quanto na escrita alfabética
Ao longo do caderno especial de VEJA, encontram-se dados sobre uma das glórias da cultura chinesa: a escrita. "Uma Vitrine para o Mundo", por exemplo, conta que o aeroporto de Pequim, visto do alto, lembra tanto um dragão quanto o ideograma chinês para "humano". A outra reportagem focaliza duas crianças de 9 anos que superaram 3 milhões de concorrentes no campeonato nacional de caligrafia. Eles representam a versão contemporânea dos letrados que, com o passar dos milênios, fizeram da caligrafia chinesa uma síntese harmoniosa de pintura e escrita. Esses e outros elementos apontam para a necessidade de examinar, com seus alunos, o volume de interrogações que os ideogramas nos trazem.
O objetivo deste roteiro é evidenciar que, muitas vezes, tomamos por universal um viés ou uma ideologia dominante discutível. A elegância dos textos manuscritos daquela cultura oriental nos faz lembrar que, em História, Literatura, Arte ou mesmo em linguagem, estudar o Ocidente não significa compreender o mundo.

Atividades
1ª aula - Conte que a preocupação em manter e propagar sistemas de valores fez o homem buscar na tradição memorizada recursos para preservar fielmente sistemas de crença. Por sua vez, a necessidade de representação do mundo e das coisas, em vários momentos históricos e contextos, levou-o à busca de representações visuais, com diferentes instrumentos e sobre materiais diversos. Assim, algumas culturas acabam por dotar-se de sistemas de escrita.
Bastou isso para que, com o advento da ciência da linguagem, o eixo das discussões entre oralidade e escrita viesse a centralizar-se numa tensão entre ambas que destaca a primazia de uma sobre a outra, a depender do foco empunhado como espada nessa luta armada de teóricos. Em seguida, focalize a necessária distinção entre escrita e alfabeto e mostre à garotada certos elementos da escrita chinesa.
Para tanto, distribua cópias dos três quadros deste plano de aula, sobre o alfabeto fenício, alguns ideogramas e os traços básicos da caligrafia chinesa. Sugira ainda que obtenham informações, em livros e na internet, sobre os quatro períodos de variação dessa escrita.

• Os ossos — oráculo: gravações em carapaças de tartaruga (entre os séculos XV e X a.C.).• O selo antigo: escrita em vasos de bronze.
• O selo mais jovem: antecedente do chinês moderno e ainda usado na caligrafia e na pintura.
• A escrita lishu, que substituiu todas as outras no século VI a.C.
Explique que a fonte de produção da escrita chinesa são os oito trigramas dispostos em círculo para formar um octógono (é o desenho do bagua do feng shui). Os ideogramas são construídos segundo linhas básicas, traçadas de cima para baixo e da esquerda para a direita. Mostre que não há nada aleatório.
Pergunte, então, se no caso do alfabeto latino também existe uma fonte. Desenhe no quadro-negro um segmento de curva C e um segmento de reta | e demonstre serem eles a base do nosso alfabeto. Compare-o ao alfabeto fenício, "ancestral" do latino.

2ª aula — Reafirme que os estudos da linguagem, ao enfatizar que a escrita é apenas um registro imperfeito da fala, dificultaram a reflexão sobre a articulação existente entre a palavra falada e a escrita.
Deixando de lado a concepção tradicional, abra um debate a respeito da incidência que a escrita teve — e tem — sobre atividades culturais e cognitivas. Discuta a relação complementar e dialética que a oralidade e a escrita mantêm.
Leve a classe a perceber os elementos básicos da escrita chinesa: ideogramas, pictogramas e fonogramas. Se necessário, forneça exemplos em que os três elementos estão presentes. O site indicado no final deste roteiro é uma boa fonte de referência.
• Ideogramas — símbolos gráficos que representam palavras ou conceitos abstratos.
• Pictogramas — pequenos desenhos ilustrativos de objetos ou conceitos.
• Fonogramas — signos fonéticos arbitrários.

Relacione a escrita ideogramática com os hieroglifos egípcios e a pictórica com os glifos de determinados grupos indígenas, fazendo a turma ver que, a despeito da aparente diversidade entre as línguas, os princípios que as regem estruturalmente, na fala ou na escrita, tendem a aproximar-se.
Tome alguns ideogramas que simbolizam conceitos abstratos. Vários deles, mostrados na foto da página ao lado, representam 10000 modos diferentes de escrever longevidade em chinês. Pergunte se a escrita converte alguns aspectos da linguagem, como as palavras, em objetos de consciência. É assim que passamos de um pensamento acerca das coisas para um pensamento sobre as representações dessas coisas?
Sugira, a seguir, que os jovens reflitam: a escrita é um mero anexo da fala ou uma forma de "tecnologizar" a palavra porque, ao levá-la do mundo oral a um novo universo visual, transforma a fala e também o pensamento?
Será essa a razão pela qual os chineses cultivam a caligrafia como arte? Será que eles iniciaram o que a imprensa e o computador apenas continuam — a separação da palavra do presente vivo?
Nesse caso, na arte da caligrafia, a escrita gera uma distância que possibilita compreender e contemplar os próprios pensamentos (já que a palavra escrita objetiva o pensamento)? Peça comentários em forma de dissertação.

Internet
O site www.proel.org/chino.html apresenta ideogramas chineses, pictogramas e fonogramas

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