Planeta Sustentável

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Caiu no Enem



  I. 

(Enem 1998) 
A discussão sobre gramática na classe está "quente". Será que os brasileiros sabem gramática? A professora de Português propõe para debate o seguinte texto:
PRA MIM BRINCAR
            Não há nada mais gostoso do que o mim sujeito de verbo no infinito. Pra mim brincar. As cariocas que não sabem gramática falam assim. Todos os brasileiros deviam de querer falar como as cariocas que não sabem gramática.
            - As palavras mais feias da língua portuguesa são quiçá, alhures e miúde.
(BANDEIRA, Manuel. Seleta em prosa e verso. Org: Emanuel de Moraes. 4a ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1986. Pág.19)
 - Com a orientação da professora e após o debate sobre o texto de Manuel Bandeira, os alunos chegaram à seguinte conclusão:
a) Uma das propostas mais ousadas do Modernismo foi a busca da identidade do povo brasileiro e o registro, no texto literário, da diversidade das falas brasileiras.   
b) Apesar de os modernistas registrarem as falas regionais do Brasil, ainda foram preconceituosos em relação às cariocas.   
c) A tradição dos valores portugueses foi a pauta temática do movimento modernista.   
d) Manuel Bandeira e os modernistas brasileiros exaltaram em seus textos o primitivismo da nação brasileira.   
e) Manuel Bandeira considera a diversidade dos falares brasileiros uma agressão à Língua Portuguesa.   
  

   II. 

(Enem 1999) 
Leia o que disse João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, sobre a função de seus textos:
"FALO SOMENTE COMO O QUE FALO: a linguagem enxuta, contato denso; FALO SOMENTE DO QUE FALO: a vida seca, áspera e clara do sertão; FALO SOMENTE POR QUEM FALO: o homem sertanejo sobrevivendo na adversidade e na míngua. FALO SOMENTE PARA QUEM FALO: para os que precisam ser alertados para a situação da miséria no Nordeste."
 Para João Cabral de Melo Neto, no texto literário,
 a) a linguagem do texto deve refletir o tema, e a fala do autor deve denunciar o fato social para determinados leitores.   
 b) a linguagem do texto não deve ter relação com o tema, e o autor deve ser imparcial para que seu texto seja lido.   
 c) o escritor deve saber separar a linguagem do tema e a perspectiva pessoal da perspectiva do leitor.   
 d) a linguagem pode ser separada do tema, e o escritor deve ser o delator do fato social para todos os leitores.   
 e) a linguagem está além do tema, e o fato social deve ser a proposta do escritor para convencer o leitor.   


  III.

(Enem cancelado 2009) 
Ó meio-dia confuso,
ó vinte-e-um de abril sinistro,
que intrigas de ouro e de sonho
houve em tua formação?
Quem ordena, julga e pune?
Quem é culpado e inocente?
Na mesma cova do tempo
cai o castigo e o perdão.
Morre a tinta das sentenças
e o sangue dos enforcados...
— liras, espadas e cruzes
pura cinza agora são.
Na mesma cova, as palavras,
o secreto pensamento,
as coroas e os machados,
mentira e verdade estão.
[...]
(MEIRELES, C. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: Aguilar, 1972. (fragmento)
O poema de Cecília Meireles tem como ponto de partida um fato da história nacional, a Inconfidência Mineira. Nesse poema, a relação entre texto literário e contexto histórico indica que a produção literária é sempre uma recriação da realidade, mesmo quando faz referência a um fato histórico determinado. No poema de Cecília Meireles, a recriação se concretiza por meio
a) do questionamento da ocorrência do próprio fato, que, recriado, passa a existir como forma poética desassociada da história nacional.   
b) da descrição idealizada e fantasiosa do fato histórico, transformado em batalha épica que exalta a força dos ideais dos Inconfidentes.   
c) da recusa da autora de inserir nos versos o desfecho histórico do movimento da Inconfidência: a derrota, a prisão e a morte dos Inconfidentes.   
d) do distanciamento entre o tempo da escrita e o da Inconfidência, que, questionada poeticamente, alcança sua dimensão histórica mais profunda.
e) do caráter trágico, que, mesmo sem corresponder à realidade, foi atribuído ao fato histórico pela autora, a fim de exaltar o heroísmo dos Inconfidentes.

 - Gabarito

   I. Até 1930, o Modernismo pretendeu a liberdade das formas fixas - sobretudo os sonetos -, bem como os versos brancos, utilizando a linguagem coloquial para expressar o discurso popular, aproximando a Literatura de um público diferente da elite. Letra A 
   II. João Cabral de Melo Neto, ao tratar da produção narrativa de Graciliano Ramos (e não a produção poética do poeta recifense, como aponta o enunciado da questão), em "O poema da noite", acaba por traduzir, em palavras,  todo cenário do sertão e as péssimas condições de vida em que vivia o povo sertanejo - tema do autor de romances. Letra A
   III. Cecília Meirelles resgata um fato histórico, revivendo-o de forma poética, recriando artísticamente o período - a Inconfidência Mineira - dimensionando-o com o verdadeiro valor que possui, com a properiedade de quem tem distanciamento crítico suficiente para avaliá-lo. Letra D

Fonte: soumaisenem.com.b

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